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Problemas da Gerência Democrática
O conceito da gerência por objetivos, definida como participação
da equipe gerenciada, é unanimemente aceito pela filosofia organizacional
contemporânea. De acordo com esse método, não existem
mais subordinados e sim apenas colaboradores, elucidados e motivados em
vez de comandados. Assim se espera aumentar eficiência, estimular
a criatividade e gerar o bem estar no ambiente do trabalho, antes só
encontrado excepcionalmente. Entretanto, na aplicação prática
desta estratégia, surgem obstáculos com os quais o novo líder
deve se familiarizar de antemão, para não colocar em risco
aquela conquista gerencial do último século.
Eficiência
A receita parece infalível. A equipe tem o direito
de questionar e de ganhar uma visão mais ampla dos seus afazeres
dentro do contexto da inteira organização. Em conseqüência,
os trabalhos serão feitos mais inteligentemente, menos erros são
cometidos, a colaboração entre indivíduos é
intensificada e as equipes resolvem os problemas sem apelar constantemente
aos supervisores.
Infelizmente, na realidade esta visão harmoniosa
é posta a pique pela heterogeneidade do elemento humano. Em qualquer
equipe existem três categorias: os adeptos que compreendem o esquema
e fazem dele um uso produtivo, os antagonistas que resistem ao desafio
de trabalhar "com a cabeça" e, finalmente, os sofistas
que aproveitam a ausência da disciplina antiga para dialogar em
vez de produzir.
Converter tais discrepâncias em equipes eficazes
custa um tempo enorme e exige do líder um dom quase terapêutico
dificilmente encontrado nos representantes da classe gerencial.
Criatividade
Nesse contexto encontra-se uma situação
paradoxal. Se uma organização é obsoleta, rígida
e ineficiente, ela muito provavelmente sofre sob executivos incapazes
de reconhecer boas idéias como tais. Também lhes faltaria
a iniciativa de colocar boas idéias em prática. Esta falta
de discernimento, de iniciativa e de coragem explica a necessidade de
consultores cujo trabalho consiste muitas vezes na formulação
e aplicação de idéias encontradas dentro da própria
organização.
A consultoria funciona então através da
colocação de líderes que funcionam em duas direções:
da equipe e da diretoria. Esta última tem que ser persuadida a
aceitar, valorizar e pôr em prática sugestões oriundas
muitas vezes do círculo de humildes empregados.
Bem Estar
Gerar bem estar no local de trabalho através de
"coffee breaks", música ambiental e cadeiras anatômicas
é mera ilusão. A única maneira realista de gerar
ambientes profissionais positivos é pela valorização
do próprio trabalho. É nesse contexto que o
novo gerente encontra talvez seu maior desafio. A Ética do Trabalho,
a qual deu à América do Norte sua superioridade econômica,
tornou-se uma virtude do passado. Os maiores destaques no mar das comunicações
contemporâneas estão reservados para as notícias de
corrupção, de crime organizado, de conflitos partidários
e de outras iniciativas isentas de qualquer sensibilidade humanitária.
Se existe uma ética contemporânea, ela não
é do trabalho e sim da maior vantagem imediata. O pragmatismo virou
oportunismo e daí para a corrupção a autodestruição
de inteiras comunidades houve apenas um passo. Nessa condição,
qual seria a escala de valores que capaz de servir ao novo líder
como referência?
Hoje em dia, até o cidadão correto, aquele
que segue a lei, se preocupa mais com a qualidade de vida do que com a
qualidade de produção. Prazeres e conforto são cultivados
em detrimento do dever. O consumo é exagerado, o status hiper-estimado,
o sucesso deificado e o ganho especulativo é considerado o segredo
da felicidade.
É extremamente difícil, dentro deste ambiente
cultural, exaltar os méritos do trabalho honesto com a sua compensação
modesta e o decorrente estilo controlado de vida. Diante da maior parte
da população, esforços missionários seriam
perdidos. Parece restar ao gerente moderno apenas uma medida: trabalhar
apenas com equipes compostas por integrantes que, através de constituição
bio-psíquica, de formação ou de experiência,
são levados a aceitar as glórias de uma carreira, de uma
existência planejada e de um papel útil dentro da comunidade.
Entretanto, tal seletividade estaria em contraste
aberto com o princípio democrático da igualdade de todos
os seres humanos. Assim a igualdade surge como ideal humanitário
inaplicável às necessidades da iniciativa privada. A empresa
ineficiente por incompetência dos seus recursos humanos, é
não somente condenada a falir, mas também a abalar o inteiro
sistema capitalista. Assistimos, então, a um conflito que certamente
constituirá um dos grandes desafios para o novo século.
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